14 de março de 2014

Amor não tem quantidade nem qualidade,
Amor basta-lhe ser
Aparece quando quer
Desaparece sem querer
Vive de verdade e se apodera da alma
O que é nada vira tudo
O que era tudo vira nada

13 de setembro de 2013

Apetece-me escrever. Mas hoje não é o dia. Muitas frases soltas me ocorrem. Juntas não fariam qualquer sentido. E hoje, é assim que me sinto. Sem sentido.

Prefiro citar, até que a ordem se restabeleça nos meus pensamentos.

"Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo... 
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer 
Porque eu sou do tamanho do que vejo 
E não, do tamanho da minha altura"
#Fernando Pessoa


Hoje, na minha aldeia, há nevoeiro.


3 de setembro de 2013

apetece-me amar
apetece-me gritar
apetece-me escrever
apetece-me viver

depois de um copo ou dois
falo de quem sou, falo do que quero
pergunto-me quem sois
pergunto-me porque desespero

o efeito passa e volto
volto a mim
volto a ti
volto para o fim

o fim da linha
o fim da história
o avistar de uma vitória
o inicio de uma insónia

18 de agosto de 2013

Dois meses de Luanda

Na rua, os constantes cheiros provindos de águas paradas e amontoados de lixo atropelam todas as impressões olfactivas já sentidas. No candongueiro, a música no seu mais alto volume perturba qualquer tentativa de concentração ou de amainar o corrupio de pensamentos. No trabalho ou em casa, as insistentes e ruidosas sirenes impedem qualquer momento de paz sonora.

Aqui tudo demora mais tempo, mas tudo parece correr entre o tempo. O dia é curto, anoitece a partir das 17h30 mas a noite parece ainda mais curta. Quando o amanhecer ocorre a partir das 5h30 e a hora de sair da cama está quase a acontecer, sente-se que o período dormido não foi suficiente para descansar da azáfama do dia anterior.

(Luanda não dorme. Luanda pausa entre os barulhos da noite e o raiar do sol.)

Se todo este alvoroço provoca em mim um estado de ansiedade persistente, o descobrir de cada ínfima parte das raízes, das histórias que na minha vida nunca tiveram lugar e as vivências calorosas com as gentes desta terra fazem de mim um ser extasiado.

É preciso é coragem para assegurar que a mente resta sã. E que cada momento de fim-de-semana entre bons companheiros de conversas, risos e danças, regados de um bom álcool, continuem a temperar todos os dissabores desta Luanda que todos querem e poucos aguentam.

Como disse Cesária  Évora:

"Ess vida sabe qu'nhôs ta vivê
Parodia dia e note manché
Sem maca ma cu sabura 
Angola, Angola 
Oi qu'povo sabi 
Ami nhos ca ta matam"

1 de maio de 2013

O meu lugar


Tenho sangue que me ferve nas veias. Ferve como se estivesse doente e precisasse de cura. Corre como rio agitado em dia de tempestade. Percorre o leito do meu corpo como se procurasse a foz. A paz. A cura.

Cura que cheira a mar, a calor, a terra vermelha, a poeira, a barulho de cidade nova que ainda não encontrou a sua estrutura.

3 de abril de 2013

Hoje li algures que "não basta acreditar, é preciso ter atitude"

Quero acreditar que sou mesmo ingénua como por vezes aparento. Que o mundo ainda é regido pelas leis da boa vontade e do amor ao próximo. Que há alguém que me ama incondicionalmente. Que há coisas que acontecem porque simplesmente devem acontecer. Que há coisas que devem acontecer porque Deus assim o quer.

Sobretudo isso, acreditar que há um Deus que olha por mim e que subliminarmente me indica o caminho certo a seguir.

Penso nisto tudo ao mesmo tempo, forma-se um remoinho de ideias e conclusões e lembro-me que, provavelmente, são pensamentos idiotas.

Mas, para mim, acreditar é o primeiro degrau da escada das atitudes. Se subi o primeiro, vou ter que continuar até chegar ao próximo patamar. Até agora, esta máxima não me falhou e nem falhará. Acredito.

Acreditar nas coisas é o que me move. Se acredito, é o suficiente para que projecte os próximos passos a dar e alcance o meu objectivo.

E mesmo que o Deus "lá de cima" me falhe, tenho o outro "aqui de dentro". Aquele que me diz que comer três pratos de feijoada seguidos não terá uma consequência feliz no dia seguinte, ou que comer chocolate todos os dias, de facto, engorda.

Mesmo assim, um dia destes ainda descubro que, afinal, estes dois são o mesmo e que era tudo "brincadeirinha de esconde-esconde". Acredito.


1 de abril de 2013

Utopias (in)alcançáveis

Vivo fora de mim. Por vezes, adormeço e vejo-me fora de mim. Deambulo por lugares que já conheci e que agora não passam de recordações desarrumadas no fundo da minha memória. Uma alma meio vazia de amores e desamores que fraqueja a cada novo passo. Uma alma desprovida de amparo. Uma alma que a cada nova esquina procura um rosto, um cheiro, um sabor do passado. Vejo-me e não me reconheço.

Acordo, inspiro de forma a encher totalmente os pulmões, fecho os olhos de novo e prefiro continuar a ver-me fora de mim. Prefiro pensar nessa pessoa que deambula aqui e ali, de pensamento em pensamento à procura de uma nova razão. Uma razão para acordar e não me lembrar que dentro de mim pulula a alma meio vazia de alguém que não sabe o que procura. Que não sabe como se tornar uma alma meio cheia. Que olha para todos os lados numa procura desenfreada pela rota certa. Que procura nos cheiros da rua a sinfonia de essências que desperte cada poro da sua pele. 

Um dia, talvez, acordo, inspiro de forma a encher totalmente os pulmões, sinto-te e deixo-me embriagar pelos odores da tua felicidade. Fecho os olhos de novo, conduzo a tua mão até ao meu peito e deixo-te sentir a alma meio cheia que existe em mim. E ao readormecer, tranco no cofre empoeirado das memórias a  alma meio vazia que um dia sonhou com o que fora uma utopia. 

6 de fevereiro de 2013

Sinto o que não sei dizer

Queria conseguir escrever qualquer coisa. Escrevi, apaguei, reescrevi, voltei a apagar, reformulei e decidi não voltar a apagar. Contudo, por mais que quisesse não saberia explicar. Esforço-me por encontrar as palavras que combinam com o meu estado de alma, mas, afinal, "pensar é estar doente dos olhos". E a cada pensamento, a sensação que brota no meu íntimo parece se entranhar nas memórias de outras sensações, que agora não passam disso mesmo, memórias arquivadas. 

Vou sentir, extasiar-me, expandir e contagiar quem me alcançar. E depois, quem sabe, encaixar as memórias, pensar, escrever e explicar o que eu própria não entendia.

Hoje adormece uma Pessoa diferente da que vai acordar no meu lugar.

5 de dezembro de 2012

Um dia que são dias

Hoje ri, chorei (de tanto rir), estive triste, estive contente, passei por várias emoções e vi uma luz ao fim do túnel. Dizem que a vida são só dois dias. É mentira. Eu tenho dias que são uma vida inteira.

3 de dezembro de 2012

Nevoeiro

Tristeza talvez. Impotência com certeza. Frustração sempre. Sempre que anseio, projecto, sonho e visiono o meu futuro que parece estar logo ali a estender-me a mão e que do nada desaparece. Sinto nos olhos a secura do que um dia fora a expressão da minha tristeza. Sinto no peito a angústia de quem um dia fora frágil. Sinto na garganta o silêncio do que um dia fora um rugido. Fortaleza de emoções que me vestem. Dispo-me e nada vejo.
Bloqueio.
Quero dizer mais.
Não consigo.
Volto a mim. E finalmente, sinto nos olhos o passar da tempestade de pensamentos. Sinto esse futuro escorrer-me pela cara. Sinto o coração raivoso a pulsar no peito.
E mesmo assim, continuo a sentir na garganta o silêncio do que um dia fora um rugido.
Volto a mim. Triste, impotente, frustrada e silenciosa.

21 de agosto de 2012

Sem sabor, sem chamego e sem título

Quem disse que é fácil ser-se solteiro?
Uns dias feliz por não ter ninguém "à perna" e outros deprimentes por não ter esse ninguém "à perna".

Vida ambígua que inspira, à vez, solidão saudosa de momentos ternurentos a dois, e jubilo pelo desfrute da ausência de disputas inúteis, que só dois apaixonados são capazes de interpretar. Sem querer sonegar a importância do problema, quem dera que este fosse o único dilema que este meu mundo podre tivesse de enfrentar.

Um mundo económico em crise, um país que se esqueceu dos cidadãos e a única coisa que me ilumina o espírito para escrever são as ambições de um encostar quente e húmido de lábios ternos na minha boca, de sentir os meus cabelos acariciados por outra mão que não a minha, de um chamego de boa noite, de um cruzar de ideias entre duas almas que beneficiam de amor puro entre elas...

É tarde. Talvez seja essa a causa de divagações moribundas de coração carente. É isso. Cansaço. Amanhã talvez passe e quem sabe acabe este esboço de pensamentos.

15 de maio de 2012

Recomendações a seguir à risca antes de ligar para qualquer número de apoio ao cliente:

1° - Não esquecer o bloco de notas para apontar as 350 opções que vão ser dadas pelo atendedor automático. Caso chegue à última opção é porque de facto nenhuma se identifica com o apoio que preciso, mas tenho que me lembrar de todas as outras 349 para escolher a que mais se enquadra no assunto.

2° - Não esquecer uma boneca de vodoo e as respectivas agulhas. Dão sempre jeito quando pela quinquagésima nona vez se tentou explicar à moçoila(o) que o céu é azul e não às bolinhas brancas. (Sou daltónica e cheguei lá com alguma facilidade.)

3° - E por último, mas não menos importante, assim que receber a factura do telefone apressar-me a picá-la em bocadinhos milimétricos e pegar-lhes fogo. Caso contrário, o mais provável é ficar com uma p#t$ dor de cabeça ao verificar o valor da inutilidade daquela chamada e ainda, ganhar uma "espera" na fila da farmácia para largar umas moedinhas com paracetamóis e afins.

E note-se que também já estive do outro lado da linha telefónica!

27 de abril de 2012

Mensagens subliminares femininas

Carta aberta aos homens:

Os pretos são todos iguais, os chineses são todos iguais, as zebras são todas iguais, os homens são todos iguais e as mulheres, claro, são todas iguais.

Ora, a isto chama-se generalização da espécie.

É sabido que as mulheres têm uma linguagem própria da qual poucos, raros, homens têm o dom de saber interpretar. Aliás, este assunto é motivo de chacota nos mais animados jantares femininos em que o homem é o bobo da corte. 

As mulheres (a maioria) não sabem fazer jogo fácil e preferem dificultar a tarefa masculina dizendo não quando de facto é não, e dizendo não quando na verdade é sim. Em que ficamos? Só elas sabem.

Todos gostamos de jogar e andar à volta do assunto até ver quem cede primeiro à tentação. Tem piada, e faz despertar o interesse.  Mas daí a achar que tudo o que veste saia só sabe falar através de um código decifrável, única e exclusivamente, no meio feminino, ora pensem duas vezes!

Quando só os desejos carnais estão na mesa, ou melhor dizendo na cama, são poucas as mulheres que tentam mostrar o que querem com jogos de palavras cruzadas que só elas mesmas é que entendem.

Quando foi previamente assumido e assinado verbalmente que o trato seria a realização dos desejos carnais, incluindo divertimento de parte a parte até que uma delas se desse por satisfeita, então aí amigos, a mulher é directa! 

Quando dizemos "quero-te" não estamos a dizer "estou a começar a desenvolver sentimentos por ti" e sim "quero-te agora! Aperta-me contra a parede, e que os santos desviem o olhar!".

E mais, homens deixem-se de tretas e lamechices!

Se acham que elas estão a gostar mais do que aquilo que deveriam, esperem que ela própria assuma o sentimento. Não tentem interpretar algo que viram subliminarmente, porque a maioria das vezes ou não existe ou é exactamente o contrário do que estariam a pensar. 

Se foi falado e acordado, elas sabem em que chão estão a pisar. E são bem mais astutas do que parecem. 

E, cuidado, uma mulher consciente, num jogo, é o pior adversário que se pode querer. Joga, ganha, e festeja mesmo que seja sozinha e sem ligar às crises do coração. 


Nota: A gata está de volta e hoje particularmente assanhada. 

11 de julho de 2009

voltei!
para dizer-te que odeio-te com todo o amor que tenho em mim.
que fervo  de pensar que a essência do teu corpo nao é mais a mesma.
caminhos vadios que nos levaram à incoerência.
tristeza? não. apenas ódio. 
de ti?
não.
de mim.

16 de abril de 2008


e que bem que faz passar o quarteirão a pente fino às tantas da noite...

e não são devaneios de passeios no meio do betão... é apenas o corpo que começa a pedinchar por um pouco de exercicio físico. E mesmo sendo no meio do betão, como faz bem sentir de novo o coração palpitar...