3 de abril de 2013

Hoje li algures que "não basta acreditar, é preciso ter atitude"

Quero acreditar que sou mesmo ingénua como por vezes aparento. Que o mundo ainda é regido pelas leis da boa vontade e do amor ao próximo. Que há alguém que me ama incondicionalmente. Que há coisas que acontecem porque simplesmente devem acontecer. Que há coisas que devem acontecer porque Deus assim o quer.

Sobretudo isso, acreditar que há um Deus que olha por mim e que subliminarmente me indica o caminho certo a seguir.

Penso nisto tudo ao mesmo tempo, forma-se um remoinho de ideias e conclusões e lembro-me que, provavelmente, são pensamentos idiotas.

Mas, para mim, acreditar é o primeiro degrau da escada das atitudes. Se subi o primeiro, vou ter que continuar até chegar ao próximo patamar. Até agora, esta máxima não me falhou e nem falhará. Acredito.

Acreditar nas coisas é o que me move. Se acredito, é o suficiente para que projecte os próximos passos a dar e alcance o meu objectivo.

E mesmo que o Deus "lá de cima" me falhe, tenho o outro "aqui de dentro". Aquele que me diz que comer três pratos de feijoada seguidos não terá uma consequência feliz no dia seguinte, ou que comer chocolate todos os dias, de facto, engorda.

Mesmo assim, um dia destes ainda descubro que, afinal, estes dois são o mesmo e que era tudo "brincadeirinha de esconde-esconde". Acredito.


1 de abril de 2013

Utopias (in)alcançáveis

Vivo fora de mim. Por vezes, adormeço e vejo-me fora de mim. Deambulo por lugares que já conheci e que agora não passam de recordações desarrumadas no fundo da minha memória. Uma alma meio vazia de amores e desamores que fraqueja a cada novo passo. Uma alma desprovida de amparo. Uma alma que a cada nova esquina procura um rosto, um cheiro, um sabor do passado. Vejo-me e não me reconheço.

Acordo, inspiro de forma a encher totalmente os pulmões, fecho os olhos de novo e prefiro continuar a ver-me fora de mim. Prefiro pensar nessa pessoa que deambula aqui e ali, de pensamento em pensamento à procura de uma nova razão. Uma razão para acordar e não me lembrar que dentro de mim pulula a alma meio vazia de alguém que não sabe o que procura. Que não sabe como se tornar uma alma meio cheia. Que olha para todos os lados numa procura desenfreada pela rota certa. Que procura nos cheiros da rua a sinfonia de essências que desperte cada poro da sua pele. 

Um dia, talvez, acordo, inspiro de forma a encher totalmente os pulmões, sinto-te e deixo-me embriagar pelos odores da tua felicidade. Fecho os olhos de novo, conduzo a tua mão até ao meu peito e deixo-te sentir a alma meio cheia que existe em mim. E ao readormecer, tranco no cofre empoeirado das memórias a  alma meio vazia que um dia sonhou com o que fora uma utopia.