5 de dezembro de 2012

Um dia que são dias

Hoje ri, chorei (de tanto rir), estive triste, estive contente, passei por várias emoções e vi uma luz ao fim do túnel. Dizem que a vida são só dois dias. É mentira. Eu tenho dias que são uma vida inteira.

3 de dezembro de 2012

Nevoeiro

Tristeza talvez. Impotência com certeza. Frustração sempre. Sempre que anseio, projecto, sonho e visiono o meu futuro que parece estar logo ali a estender-me a mão e que do nada desaparece. Sinto nos olhos a secura do que um dia fora a expressão da minha tristeza. Sinto no peito a angústia de quem um dia fora frágil. Sinto na garganta o silêncio do que um dia fora um rugido. Fortaleza de emoções que me vestem. Dispo-me e nada vejo.
Bloqueio.
Quero dizer mais.
Não consigo.
Volto a mim. E finalmente, sinto nos olhos o passar da tempestade de pensamentos. Sinto esse futuro escorrer-me pela cara. Sinto o coração raivoso a pulsar no peito.
E mesmo assim, continuo a sentir na garganta o silêncio do que um dia fora um rugido.
Volto a mim. Triste, impotente, frustrada e silenciosa.

21 de agosto de 2012

Sem sabor, sem chamego e sem título

Quem disse que é fácil ser-se solteiro?
Uns dias feliz por não ter ninguém "à perna" e outros deprimentes por não ter esse ninguém "à perna".

Vida ambígua que inspira, à vez, solidão saudosa de momentos ternurentos a dois, e jubilo pelo desfrute da ausência de disputas inúteis, que só dois apaixonados são capazes de interpretar. Sem querer sonegar a importância do problema, quem dera que este fosse o único dilema que este meu mundo podre tivesse de enfrentar.

Um mundo económico em crise, um país que se esqueceu dos cidadãos e a única coisa que me ilumina o espírito para escrever são as ambições de um encostar quente e húmido de lábios ternos na minha boca, de sentir os meus cabelos acariciados por outra mão que não a minha, de um chamego de boa noite, de um cruzar de ideias entre duas almas que beneficiam de amor puro entre elas...

É tarde. Talvez seja essa a causa de divagações moribundas de coração carente. É isso. Cansaço. Amanhã talvez passe e quem sabe acabe este esboço de pensamentos.

15 de maio de 2012

Recomendações a seguir à risca antes de ligar para qualquer número de apoio ao cliente:

1° - Não esquecer o bloco de notas para apontar as 350 opções que vão ser dadas pelo atendedor automático. Caso chegue à última opção é porque de facto nenhuma se identifica com o apoio que preciso, mas tenho que me lembrar de todas as outras 349 para escolher a que mais se enquadra no assunto.

2° - Não esquecer uma boneca de vodoo e as respectivas agulhas. Dão sempre jeito quando pela quinquagésima nona vez se tentou explicar à moçoila(o) que o céu é azul e não às bolinhas brancas. (Sou daltónica e cheguei lá com alguma facilidade.)

3° - E por último, mas não menos importante, assim que receber a factura do telefone apressar-me a picá-la em bocadinhos milimétricos e pegar-lhes fogo. Caso contrário, o mais provável é ficar com uma p#t$ dor de cabeça ao verificar o valor da inutilidade daquela chamada e ainda, ganhar uma "espera" na fila da farmácia para largar umas moedinhas com paracetamóis e afins.

E note-se que também já estive do outro lado da linha telefónica!

27 de abril de 2012

Mensagens subliminares femininas

Carta aberta aos homens:

Os pretos são todos iguais, os chineses são todos iguais, as zebras são todas iguais, os homens são todos iguais e as mulheres, claro, são todas iguais.

Ora, a isto chama-se generalização da espécie.

É sabido que as mulheres têm uma linguagem própria da qual poucos, raros, homens têm o dom de saber interpretar. Aliás, este assunto é motivo de chacota nos mais animados jantares femininos em que o homem é o bobo da corte. 

As mulheres (a maioria) não sabem fazer jogo fácil e preferem dificultar a tarefa masculina dizendo não quando de facto é não, e dizendo não quando na verdade é sim. Em que ficamos? Só elas sabem.

Todos gostamos de jogar e andar à volta do assunto até ver quem cede primeiro à tentação. Tem piada, e faz despertar o interesse.  Mas daí a achar que tudo o que veste saia só sabe falar através de um código decifrável, única e exclusivamente, no meio feminino, ora pensem duas vezes!

Quando só os desejos carnais estão na mesa, ou melhor dizendo na cama, são poucas as mulheres que tentam mostrar o que querem com jogos de palavras cruzadas que só elas mesmas é que entendem.

Quando foi previamente assumido e assinado verbalmente que o trato seria a realização dos desejos carnais, incluindo divertimento de parte a parte até que uma delas se desse por satisfeita, então aí amigos, a mulher é directa! 

Quando dizemos "quero-te" não estamos a dizer "estou a começar a desenvolver sentimentos por ti" e sim "quero-te agora! Aperta-me contra a parede, e que os santos desviem o olhar!".

E mais, homens deixem-se de tretas e lamechices!

Se acham que elas estão a gostar mais do que aquilo que deveriam, esperem que ela própria assuma o sentimento. Não tentem interpretar algo que viram subliminarmente, porque a maioria das vezes ou não existe ou é exactamente o contrário do que estariam a pensar. 

Se foi falado e acordado, elas sabem em que chão estão a pisar. E são bem mais astutas do que parecem. 

E, cuidado, uma mulher consciente, num jogo, é o pior adversário que se pode querer. Joga, ganha, e festeja mesmo que seja sozinha e sem ligar às crises do coração. 


Nota: A gata está de volta e hoje particularmente assanhada.