1 de abril de 2013

Utopias (in)alcançáveis

Vivo fora de mim. Por vezes, adormeço e vejo-me fora de mim. Deambulo por lugares que já conheci e que agora não passam de recordações desarrumadas no fundo da minha memória. Uma alma meio vazia de amores e desamores que fraqueja a cada novo passo. Uma alma desprovida de amparo. Uma alma que a cada nova esquina procura um rosto, um cheiro, um sabor do passado. Vejo-me e não me reconheço.

Acordo, inspiro de forma a encher totalmente os pulmões, fecho os olhos de novo e prefiro continuar a ver-me fora de mim. Prefiro pensar nessa pessoa que deambula aqui e ali, de pensamento em pensamento à procura de uma nova razão. Uma razão para acordar e não me lembrar que dentro de mim pulula a alma meio vazia de alguém que não sabe o que procura. Que não sabe como se tornar uma alma meio cheia. Que olha para todos os lados numa procura desenfreada pela rota certa. Que procura nos cheiros da rua a sinfonia de essências que desperte cada poro da sua pele. 

Um dia, talvez, acordo, inspiro de forma a encher totalmente os pulmões, sinto-te e deixo-me embriagar pelos odores da tua felicidade. Fecho os olhos de novo, conduzo a tua mão até ao meu peito e deixo-te sentir a alma meio cheia que existe em mim. E ao readormecer, tranco no cofre empoeirado das memórias a  alma meio vazia que um dia sonhou com o que fora uma utopia. 

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