13 de setembro de 2013

Apetece-me escrever. Mas hoje não é o dia. Muitas frases soltas me ocorrem. Juntas não fariam qualquer sentido. E hoje, é assim que me sinto. Sem sentido.

Prefiro citar, até que a ordem se restabeleça nos meus pensamentos.

"Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo... 
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer 
Porque eu sou do tamanho do que vejo 
E não, do tamanho da minha altura"
#Fernando Pessoa


Hoje, na minha aldeia, há nevoeiro.


3 de setembro de 2013

apetece-me amar
apetece-me gritar
apetece-me escrever
apetece-me viver

depois de um copo ou dois
falo de quem sou, falo do que quero
pergunto-me quem sois
pergunto-me porque desespero

o efeito passa e volto
volto a mim
volto a ti
volto para o fim

o fim da linha
o fim da história
o avistar de uma vitória
o inicio de uma insónia

18 de agosto de 2013

Dois meses de Luanda

Na rua, os constantes cheiros provindos de águas paradas e amontoados de lixo atropelam todas as impressões olfactivas já sentidas. No candongueiro, a música no seu mais alto volume perturba qualquer tentativa de concentração ou de amainar o corrupio de pensamentos. No trabalho ou em casa, as insistentes e ruidosas sirenes impedem qualquer momento de paz sonora.

Aqui tudo demora mais tempo, mas tudo parece correr entre o tempo. O dia é curto, anoitece a partir das 17h30 mas a noite parece ainda mais curta. Quando o amanhecer ocorre a partir das 5h30 e a hora de sair da cama está quase a acontecer, sente-se que o período dormido não foi suficiente para descansar da azáfama do dia anterior.

(Luanda não dorme. Luanda pausa entre os barulhos da noite e o raiar do sol.)

Se todo este alvoroço provoca em mim um estado de ansiedade persistente, o descobrir de cada ínfima parte das raízes, das histórias que na minha vida nunca tiveram lugar e as vivências calorosas com as gentes desta terra fazem de mim um ser extasiado.

É preciso é coragem para assegurar que a mente resta sã. E que cada momento de fim-de-semana entre bons companheiros de conversas, risos e danças, regados de um bom álcool, continuem a temperar todos os dissabores desta Luanda que todos querem e poucos aguentam.

Como disse Cesária  Évora:

"Ess vida sabe qu'nhôs ta vivê
Parodia dia e note manché
Sem maca ma cu sabura 
Angola, Angola 
Oi qu'povo sabi 
Ami nhos ca ta matam"

1 de maio de 2013

O meu lugar


Tenho sangue que me ferve nas veias. Ferve como se estivesse doente e precisasse de cura. Corre como rio agitado em dia de tempestade. Percorre o leito do meu corpo como se procurasse a foz. A paz. A cura.

Cura que cheira a mar, a calor, a terra vermelha, a poeira, a barulho de cidade nova que ainda não encontrou a sua estrutura.

3 de abril de 2013

Hoje li algures que "não basta acreditar, é preciso ter atitude"

Quero acreditar que sou mesmo ingénua como por vezes aparento. Que o mundo ainda é regido pelas leis da boa vontade e do amor ao próximo. Que há alguém que me ama incondicionalmente. Que há coisas que acontecem porque simplesmente devem acontecer. Que há coisas que devem acontecer porque Deus assim o quer.

Sobretudo isso, acreditar que há um Deus que olha por mim e que subliminarmente me indica o caminho certo a seguir.

Penso nisto tudo ao mesmo tempo, forma-se um remoinho de ideias e conclusões e lembro-me que, provavelmente, são pensamentos idiotas.

Mas, para mim, acreditar é o primeiro degrau da escada das atitudes. Se subi o primeiro, vou ter que continuar até chegar ao próximo patamar. Até agora, esta máxima não me falhou e nem falhará. Acredito.

Acreditar nas coisas é o que me move. Se acredito, é o suficiente para que projecte os próximos passos a dar e alcance o meu objectivo.

E mesmo que o Deus "lá de cima" me falhe, tenho o outro "aqui de dentro". Aquele que me diz que comer três pratos de feijoada seguidos não terá uma consequência feliz no dia seguinte, ou que comer chocolate todos os dias, de facto, engorda.

Mesmo assim, um dia destes ainda descubro que, afinal, estes dois são o mesmo e que era tudo "brincadeirinha de esconde-esconde". Acredito.


1 de abril de 2013

Utopias (in)alcançáveis

Vivo fora de mim. Por vezes, adormeço e vejo-me fora de mim. Deambulo por lugares que já conheci e que agora não passam de recordações desarrumadas no fundo da minha memória. Uma alma meio vazia de amores e desamores que fraqueja a cada novo passo. Uma alma desprovida de amparo. Uma alma que a cada nova esquina procura um rosto, um cheiro, um sabor do passado. Vejo-me e não me reconheço.

Acordo, inspiro de forma a encher totalmente os pulmões, fecho os olhos de novo e prefiro continuar a ver-me fora de mim. Prefiro pensar nessa pessoa que deambula aqui e ali, de pensamento em pensamento à procura de uma nova razão. Uma razão para acordar e não me lembrar que dentro de mim pulula a alma meio vazia de alguém que não sabe o que procura. Que não sabe como se tornar uma alma meio cheia. Que olha para todos os lados numa procura desenfreada pela rota certa. Que procura nos cheiros da rua a sinfonia de essências que desperte cada poro da sua pele. 

Um dia, talvez, acordo, inspiro de forma a encher totalmente os pulmões, sinto-te e deixo-me embriagar pelos odores da tua felicidade. Fecho os olhos de novo, conduzo a tua mão até ao meu peito e deixo-te sentir a alma meio cheia que existe em mim. E ao readormecer, tranco no cofre empoeirado das memórias a  alma meio vazia que um dia sonhou com o que fora uma utopia. 

6 de fevereiro de 2013

Sinto o que não sei dizer

Queria conseguir escrever qualquer coisa. Escrevi, apaguei, reescrevi, voltei a apagar, reformulei e decidi não voltar a apagar. Contudo, por mais que quisesse não saberia explicar. Esforço-me por encontrar as palavras que combinam com o meu estado de alma, mas, afinal, "pensar é estar doente dos olhos". E a cada pensamento, a sensação que brota no meu íntimo parece se entranhar nas memórias de outras sensações, que agora não passam disso mesmo, memórias arquivadas. 

Vou sentir, extasiar-me, expandir e contagiar quem me alcançar. E depois, quem sabe, encaixar as memórias, pensar, escrever e explicar o que eu própria não entendia.

Hoje adormece uma Pessoa diferente da que vai acordar no meu lugar.